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21 de jun de 2017

Qiu Jin- A primeira feminista da China.


Depois de Falar sobre as Mulan's da China (Mulheres guerreiras chinesas cujo a maioria não tem nome, por mulheres não serem registradas na época) mas que literalmente foram guerreiras e até mesmo lideraram tropas,(Por que estou muito curiosa sobre a história de mulheres na China) eu conheci Qiu Jin a primeira feminista da China, lutou contra vários ideais desde o casamento arranjado, o pé de Lótus, educação para meninas entre outros. 

Ela também se vestia de forma masculina, fazia poesia e artes marciais. (As poesias dela são incríveis.)
Ela morreu torturada por se juntar a "Sociedade da Restauração."
Qiu Jin era excêntrica e mesmo em um período cujo mulheres mal tinham direitos,
 ela se atreveu a usar roupas masculinas em seu dia a dia,
demonstrando que ela não se importava com papeis de gêneros. 

Qiu Jin nasceu em novembro de 1875,ela foi educada diferente da maioria das outras meninas chinesas na época, e se apaixonou pela literatura, principalmente poesia, era também apaixonada por cavalos e artes maciais(porém tais atividades eram atrapalhadas por seus pés de Lótus, aquela coisa de quebrar os dedos e prender os pés com faixas para torna-los menor), quando mais velha passou a defender a igualdade para mulheres e parou com os pés de Lótus.

Em 1896, com a idade de 21, por meio de um casamento arranjado por seus pais, Qiu Jin se casou com um homem rico, mas convencional. Ela deu à luz dois filhos, um menino e uma menina, e viveu uma vida gentil por um bom tempo, em 1901, ela testemunhou a Rebelião do Boxer. Como a cidade estava ocupada por guerreiros estrangeiros, Qui começou a dar todo o dinheiro para apoiar o grupo rebelde, desesperada por fazer a diferença. Na verdade, ela logo ficu bastante pobre e seu casamento estava caiu aos pedaços. mas não se contentando abandonou seu marido e filhos e foi estudar no Japão (para ela foi dificil abandonar seus filhos, mas ela não demonstrava afeto por seu marido, e teve um casamento infeliz, em sua poesia dizia:"o comportamento dessa pessoa é pior do que de um animal .... Ele trata-me como menos do que nada. ")no Japão, ela defendeu os direitos das mulheres, incluindo educação igualitária e contra casamentos arranjados. Ela escreveu extensivamente sobre esses tópicos, incluindo a publicação de seus próprios boletins. Ela foi um escritora compulsiva, deixando para trás grande quantidade de prosa e poesia. 
Enquanto no Japão, ela também se reuniu com o Dr. Sun Yat-sen, o líder do grupo revolucionário chinês mais proeminente e que levou a derrubada de sucesso da dinastia Qing e estabeleceu a República da China em 1911.
Qiu Jin voltou à China em 1906.
Continuou a escrever muitos artigos, juntamente com uma de suas amigas, Xu Zihua, fundou " Jornal das Mulheres Chinesas", revista radical das mulheres em Xangai, mais uma vez para defender os direitos das mulheres. Ela incentivou as mulheres a começar a ser educadas e ser treinadas em várias profissões para que pudessem conquistar a independência financeira, incentivou as mulheres a resistir à opressão por suas famílias, da sociedade e do governo, incluindo a prática de pés de lótus e casamentos arranjados. Ela pensou que a luta pelos direitos das mulheres era uma chave para resolver os problemas da China. Ela também ensinou na 'escola, as meninas Xunxi' , em Nanxun, província de Zhejiang do norte, que foi dirigido por Xu Zihua.

A foto mais famosa de Qiu Jin, com trajes tradicionais chineses, segura uma faca em suas mãos.
Ela foi tirada no Japão, onde em uma reunião revolucionária, ela gritou: "Se eu voltar à pátria, e render-me aos bárbaros Manchu, e enganar o povo Han, me esfaqueie com este punhal!"


Qiu Jin logo percebeu que as mudanças sociais, defendidos por ela não iriam acontecer sem mudanças políticas para o governo central da China. Assim que ela saiu da Escola Xunxi  para meninas'e ensinou e também se tornou o diretora na Escola Datung, em Shaoxing, Zhejiing, que foi fundada por seu primo Xu Xilin e outros membros da Sociedade Restauração.
A Sociedade de Restauração foi um dos maiores movimentos armados revolucionários , cuja participação cresceu para 50.000 pessoas. Uma célula da Sociedade de Restauração foi liderado por seu primo Xu Xilin.
A Escola Datung era uma escola de fachada para uma base para treino militar dos revolucionários. Qiu Jin também queria recrutar mais estudantes do sexo feminino para a Escola Datung e mais membros do sexo feminino para a Sociedade de Restauração.
A Sociedade de Restauração estava planejando um levante armado em todo o país em torno fim de  julho de 1907. No entanto, as informações sobre seu plano vazou, então no início de julho 1907 Xu Xilin elevou as ações armadas para assassinar o governador da província de Anhui. Embora o assassinato tenha sido bem sucedido, ele foi basicamente um ato de suicídio, porque Xu e seus colaboradores foram em número bem menor que as tropas do governador. Xu foi preso e posteriormente executado. 

A ligação de Xu para Qiu Jin estava de alguma forma descoberta. Ao ouvir a chegada iminente de soldados para sua escola para prendê-la, ela disse aos seus colegas para sair, mas ela decidiu ficar para trás, sabendo perfeitamente bem que ela seria morta, ela provavelmente pensou que toda grande causa tem seus mártires, e sua morte pode gerar mais atenção e apoio aos direitos das mulheres e derrubar a dinastia Qing. Ela foi presa e torturada para tentar obter mais segredos do grupo revolucionário, mas ela não sucumbiu à tortura. Dois dias depois, em 15 de julho de 1907 foi decapitada com a idade de 32 anos.

A morte de Qiu Jin, como uma mulher que estava disposta a sacrificar-se, fez gerar publicidade generalizada. Ela tornou-se um símbolo das novas mulheres: educada, independente e ativa nos assuntos públicos Qiu Jin foi imortalizada como uma heroína revolucionária moderna, bem como uma feminista.
 Depois a dinastia Qing foi derrubada sob a liderança do Dr. Sun Yat-sen, Dr. Sun em 1912 que presidiu um funeral formal para Qiu Jin em Shaoxing, Zhejiang, reconhecendo-a como o primeiro mártir da mulher da revolução e um símbolo de mulheres independentes. Mais tarde, uma estátua e um museu dedicados a ela, também foram construídos lá.
Estatua  de Qiu Jin próxima ao seu tumulo

Outra estátua de Qiu Jin encontrada na China.
Qiu Jin Aparece em alguns filmes e até mesmo tem um filme e um documentário dedicados a ela.
No filme 1911 Revolution, Qiu Jin Interpretada por Ning Jing, abre o filme caminhando para sua execução, mas com orgulho de se tornar a primeira mulher a morrer por tal causa.

O filme woman knight of a  mirror lake, mostra toda sua trajetória de vida, sua infância, sua educação, seu casamento, seus projetos até a sua morte.




Qiu Jin morreu como Martir ao correr atrás daquilo que acreditava, independentemente de seu gênero, alem de incentivar outras mulheres a fazer o mesmo, a entrar na politica, a não usarem pé de lótus, a estudar e rejeitar o casamento arranjado, além de questionar fortemente o papel de gênero.





O túmulo de Qui Jin agora fica ao lado do Lago Oeste em Hangzhou, na China. Sua última linha de poesia foi "o vento do outono e a chuva do outono me agonizam tanto".

14 de mai de 2017

Patriarcado e romantização da violência e abuso em doramas- Parte 2- Romantização da violência física, psicológica e sexual.

Bem, depois de falar sobre as consequências de alguns pensamentos confucionista em personagens femininas em dramas, a próxima etapa é falar da romantização de violência física e psicológica.
Relembrando que minha intenção não é julgar ou desmoralizar dramas apenas chamar atenção para questões que me incomodam.

Na postagem anterior tratei de relatar a influencia do confucionismo nos dramas coreanos e em que esses afetam o desenvolvimento dos mesmos. Agora vamos falar sobre o sexismo em si nos dramas, mais uma vez é importante destacar que não tenho a intenção de denegrir dramas e que as coisas apontadas aqui não ocorrem somente em dramas, mas em novelas series e demais, e de forma alguma estou dizendo para não ver os dramas apenas que podemos sim criticar coisas que desagradam mesmo que o dorama seja maravilhoso.
Vamos dividir a postagem em 4 áreas em um grau de gravidade das cenas:

Invisibilidade: Cenas cujo as mulheres são colocadas como se não pudessem tomar suas próprias decisões, essas cenas incluem discussões sobre a personagem feminina e etc...

Violência verbal- Nessa área caracterizamos as cenas cujo as mulheres são criticadas fortemente principalmente por ser mulher.

Violência física: Cenas cujo mulheres são agredidas seja com um tapa empurrão ou cenas de violência física romantizada.

Assédio e abuso:: Assedio romantizado, cenas cujo mulheres sofrem com tentativa de estupro romantizado, cenas de abuso sexual consumados ou beijos forçados que muitas das vezes são romantizados.


Invisibilidade:  Nessa categoria podemos colocar os dramas cujo a mulher não é vista como alto o suficiente para lidar com os próprios problemas, muito comum em trios amorosos.
Você com certeza já notou aquela cena em que dois homens começam a discutir sobre com quem a garota deve ficar sem levar em conta o que a garota quer e muitas das vezes ela está ali com eles.
Ou as vezes as garotas são puxadas pelos braços entre os personagens masculinos que fazem parte do trio amoroso. (costumo chamar esse ato de "cabo de guerra"). É uma cena simples e na maioria das vezes boba, mas eu odiaria que as pessoas fizessem isso comigo.


Dream high
unkind woman

Violência verbal: Esse encontramos em vários dramas dos melhores aos piores, cometido por vários tipos de personagens, sejam eles Ceos, parentes, conhecidos, personagens masculinos ou femininos,colegas de trabalho, vilão ou mocinho.
Temos casos variados que vão desde duvidar da capacidade intelectual do personagem feminino a gordofobia, julgar a beleza da pessoa e etc... Esses atos normalmente tem a intenção de humilhar o personagem. Em cada dorama essa cena tem uma função diferente, tornar um personagem vilão, ou fazer dele o bad boy incompreendido, criar rixa entre garotas, ou rebaixar uma pessoa pelo seu poder aquisitivo e por ai vai.....
Essas cenas me deixam nervosa principalmente porque muitas das vezes o personagem rebaixado, é colocado como tolo, sem reação mesmo que o personagem seja o foda dos fodas.

Boys before flowers

Sex and the city, China version.
Violência física: Não juntei esse ao de assedio e abuso, por  alguns motivos, entre eles quero destacar a romantização da violência física tanto contra mulheres como contra homens, e praticada tanto por familiares, par romântico chefes e etc..
Quem já não cansou de ver o chefe que chega a bater na cara do(a) funcionário(a), ou os pais e sogros e até mesmo o par romântico, o problema dessas cenas se dão exatamente pela romantização que ocorre na maioria das vezes, como sendo algo normal e aceitável.






Assédio e abuso: Por ultimo o que mais me intrita em dramas é o assedio abuso e estupro romantizados, muito presente em doramas tailandeses, porém também é fácil de encontrar em dramas coreanos, japoneses e etc...
Muitas das vezes as cenas de abuso são vistas como uma forma de comédia, ou de romance, beijos forçados, assedio sexual e até mesmo estupro são vistos de forma romantizada.







Por fim volto a dizer que minha intenção não é difamar os dramas, inclusive tem imagens de dramas que eu amo nessa postagem inclusive é um dorama hiper feminista (age of youth)entre outros dramas que gosto, mas quero dar destaque as cenas que de fato me incomodam .
Pode parecer que a romantização de tais cenas em dramas são inofensivas pois são ficção, porém a romantização de tais cenas podem se tornar perigosas quando incutidas nos pensamentos dos telespectadores de forma tão singela que quando notarmos estamos por reproduzir aquilo que vemos.


A Amnistia Internacional e a Revista IZE se uniram para criar um movimento que visa educar as pessoas sobre o que consideram serem cenas de romance violentas inaceitáveis ​​em algumas séries. O movimento também visa desencorajar dramas futuros de incluir tais cenas, como Amnistia e IZE sentem que promovem uma percepção distorcida de amor e relacionamentos.



 Tradução
# 1 Não me faz feliz.

1. "Eu gosto de você porque você é diferente das outras garotas." 
Todas as pessoas são diferentes em sua própria maneira.

2. "Para alguém como você, você está bem." 
Eu nunca pedi seu julgamento.

3. "Eu não te vi assim, mas você é uma menina completa." 
Você não precisa me ver de forma alguma.

4. "Eu prefiro meninas com grandes personalidades, como você, a meninas bonitas."
Eu não tenho que adaptar a minha personalidade para servi-lo.

5. "Seu rosto é bonito, mas sua personalidade não é tão bonita, e se fossem iguais?" 
Quem iria amar isso?

6. "Seu corpo é tão bom, por que você o escondeu?" 
Meu corpo não tem nada a ver com você.

7. "Ela é inteligente para que ela provavelmente poderia ser vice-capitão da classe." 
O capitão da classe já foi eleito?

8. 'Ela é muito
inteligente , ela vai ter dificuldade em se casar' 
Quem está reclamando?

9. "Você é muito boa para uma garota." 
Substitua "garota" como "pessoa" e veja como isso funciona.

10. "Uau, você é a primeira garota que conheci que está interessada em política!" 
Mais como esta é a primeira vez que você conheceu uma menina.

11. "Você é como uma mãe, é por isso que eu gosto de você." 
Então respeite e seja bom para mim.

12. "É porque eu me importo com você como uma filha." 
Então mantenha suas mãos fora de mim.

13. "Você é feita para ser nora." 
Tente e venha com um elogio que não me relaciona com sua família.

14. "Eu não conseguia me controlar porque você é tão bonita." 
Não culpe alguém pelo seu problema.

15. "Você deve ser realmente popular entre os homens desde que você vive sozinha." 
Não pense adiante.

16. Alguém está te seguindo? Uau, você deve se sentir bem que você é popular ~ '
Isso significa que eu estou estressada porque eu estou sendo perseguida

17. "Se eu fosse apenas 10 anos mais jovem, eu namoraria alguém tão bonito quanto você." 
Não agora, e não então.

18. 'Não é como se você fosse feio ou qualquer coisa, mas o que está faltando que a impede de se casar?' 
Suas maneiras estão faltando.

19. "Uau, talvez seja porque há apenas mulheres aqui, mas é como um campo de flores aqui." 
Não somos flores, somos pessoas.

20. Para que é uma princesa bonita como você trabalha? 
Para bloquear meus ouvidos com o dinheiro que ganho para que eu não tenho que ouvir suas palavras.

21. "Sinto que tenho de te proteger constantemente". 
Tudo que você tem a fazer é me respeitar e não atravessar a linha.

22. "Nuna, você é bonita na sua idade." 
Não finja ser virtuoso.

23. Você parece mais jovem do que a sua idade. 
Você está julgando minha aparência e minha idade.

24. "Você é muito madura e não como uma mulher jovem." 
Você não sabe o que dizer e o que não dizer, mesmo nessa idade.

25. 'Oops, é melhor eu ter cuidado com o que eu digo agora que há uma mulher ao redor.' 
Cuidado com o que você diz, sempre. "


# 2 Não estou mais impressionada. 
- 10 cliché e violento em Atos românticos em dramas coreanos -

1. Forçando as mulheres 
2. Gritando e xingando 
3. Forçando-as a levantar e as carregando 
4. Empurrando-as contra uma parede 
5. Conduzindo-as violentamente 
6. Jogando ou destruindo itens 
7. Indo em sua casa inesperadamente 
8. Anunciando a relação sem consentimento 
9 Abandonando-as nas ruas 
10. Forçando beijos "

Na próxima postagem, vamos falar dos dramas que podemos considerar feministas sem relacionamentos abusivos, com bom desenvolvimento, e criticas sociais.

29 de dez de 2016

Patriarcado e romantização da violência e abuso em doramas- Parte 1- Confucionismo e as mulheres asiáticas.


Okay, esse é um tema sensível e complicado, mas vou tentar abordar com o máximo de detalhes e precaução possível e sem generalizar.

Vamos começar pelo seguinte, sim eu amo doramas, sejam eles Coreano, Japoneses,Chineses ou Tailandeses. Tenho mais foco sobre os dramas Coreanos que os demais, por isso vou falar mais desses, e minha intenção não é julgar-los ou desmoraliza-los, quero apenas chamar atenção ao que andei notando nesses 7 anos em que os assisto.
O mundo dos doramas mudou, e muito, desde a época que mal se tinha acesso a eles e hoje cujo temos serviços de streaming gratuitos ou pagos que oferecem o melhor dos doramas e com muita rapidez se comparado a 8 anos atrás, quando se esperava almas bondosas (que ainda existem) legendarem esses dramas. Posso dizer que mudaram desde a qualidade, efeitos especiais, desenvolvimento, roteiro e todo o resto, posso dizer também que nesse tempo minha visão sobre as coisas também se alterou, digo que amadureci um pouco,mas não, eu não passei a odiar dramas, mas notei pequenas coisas das quais gostaria de chamar atenção, e que muitas das vezes me incomodam.

Bem em muitos dramas, comumente vemos a personagem principal feminina com as seguintes características: A jovem pura, bela (ou o tipo bela a feia), inocente, na maioria das vezes esforçada, que tem sua vida alterada após a chegada de um homem(normalmente rico, Chaebol, milionário, famoso ou dono de uma rede de alguma coisa),o carinha passa a implicar com a garota, ou ignorar sua existência, mas acaba caindo em paixão pela mesma.

Antes de questionar isso e outras coisa, vamos começar falando apenas da base confucionista asiática (confucionismo tem seus prós e contras), o confucionismo aborda o tema papel de gênero baseado em dois conceitos: Namnyo-yubol (diferença entre os sexos) e Nae-Oe-Beob (mulher como representante da esfera doméstica e os homens da esfera pública).

Na esfera doméstica, é comum nos dramas coreanos encontrar a mãe como o único representante da família; A figura do pai é muitas vezes ausente quando os problemas a tratar estão relacionados com o casamento e outras questões domésticas. No entanto, uma vez que há uma subtrama envolvendo negócios ou política, é mais do que provável que uma figura paterna apareça; em Protect the Boss , por exemplo, é, na verdade, a figura da mãe que está faltando, e o pai desempenha um papel relevante na subtrama relacionada com o negócio.

"O dever de uma mulher não é controlar ou assumir o controle".
- O maior dever da mulher é produzir um filho.

Provérbio neo-confucionista  
No romance, é comum ver as personagens femininas abdicarem suas aspirações pessoais priorizando seu relacionamento com o protagonista masculino. Isso é geralmente retratado como uma qualidade positiva, porque ela está se sacrificando pelo amor, que é o objetivo final em dramas românticos, afinal, esses valores, fazem parte da herança do confucionismo.


As mulheres na sociedade coreana são, supostas a se casar e estabelecer sua nova família; O casamento é definitivamente uma grande pressão social na Coréia. Uma vez que uma mulher atinge seus trinta, ela é suscetível de ser chamada de 'ajumma'. Ajumma significa, literalmente, mulher casada, mas é usada por extensão para designar todas as mulheres que parecem velhas o suficiente para se casar(algo semelhante a "está ficando para titia").Ao contrário do equivalente masculino "ajusshi" (que, em uma nota, não significa "homem casado"), ajumma tem algumas conotações ruins.É bem comum vermos em dramas mulheres que estão próximas aos 30 ou já passaram dessa idade, sofrer bastante pressão sobre se casar ou encontrar alguém (algo que acontece também no Brasil).Apesar disso a média de idade de casamento na Coréia é de 31,6 para os homens e 28,7 para as mulheres, o que é aproximadamente a mesma da maioria dos países desenvolvidos.
"Uma mulher deve olhar para o marido como se fosse o próprio Céu, e nunca se cansar de pensar como ela pode ceder a ele."
Provérbio neo-confucionista

No trabalho, é bem comum que na maioria dos dramas as mulheres tenham empregos inferiores ao do par romântico. Sendo que na maioria das vezes são garotas esforçadas que trabalham em muitos empregos de meio período, ou aquelas que já nasceram ricas e por isso não se preocupam em trabalhar. É comum também que mulheres desistam de seu emprego, ou seu sonho de profissão, para se dedicarem ao homem da relação (lembrando que não estou dizendo que tais coisas sejam erradas, apenas questionando elas nos dramas).

"Uma mulher governante é como uma galinha cantando."

Provérbio neo-confucionista
No entanto cada vez mais personagens femininas vem se diversificando e se alterando. Issso se deve muito a relação dos telespectadores á esses tipos de personagens.Vemos personagens mais fortes, independentes, não tão inocentes, ou que não são taxadas a "titias(ajummas)" mesmo em idade avançada,mulheres que dividem alto cargos com homens, ou que levam uma vida aberta, namorando a quantos quiserem, se redescobrindo, e se esforçando e crescendo na vida profissional sem que seja para o personagem masculino.

Será possível que os espectadores de dramas (especialmente as mulheres, já que são os principais espectadores deste tipo de dramas) estão cansadas ​​dessa imagem tradicional das mulheres?
A resposta é sim, mulheres asiáticas estão sim mudando a percepção sobre dramas entre outras coisas e questionando aquilo que não as agradam. Nos últimos anos as criticas a dramas aumentaram, cenas de abuso ou beijo forçado já não são mais tão bem vindas quanto antes. Em 2005, Lee Dong-ho realizou um estudo entre jovens mulheres coreanas que consumiram regularmente dramas de TV japoneses. Apesar da popularidade crescente dos dramas coreanos naquele tempo, eles pareciam achar os dramas japoneses mais atraentes, e uma das razões dadas foi a descrição da identidade de gênero. Nos dramas japoneses, as protagonistas femininas têm vida além do relacionamento romântico; Eles crescem profissionalmente também, e isso é descrito como mais do que apenas um pano de fundo como nos dramas coreanos. Os telespectadores taiwaneses entrevistados para o estudo "Engajar-se com dramas coreanos: discursos de gênero, mídia e formação de classe em Taiwan" também mostraram angústia com a imagem das mulheres em dramas coreanos. Enquanto a classe trabalhadora parecia identificar-se com essa domesticidade em torno das personagens femininas, os informantes bem-educados todos apontavam para sua preferência por mulheres que são fortes e independentes. Um dos informantes disse "No drama coreano. . . Não há nenhum caráter ambicioso da mulher. Os homens são retratados como tendo ambições, mas mulheres".É verdade que existem personagens femininas que estão dispostas a prosseguir sua carreira e ainda conseguem ser femininas, mas na maioria dos casos eles retratam uma ambição gananciosa, tornando-se a antagonista á protagonista humilde, atenciosa e inocente.



Os dramas televisivos coreanos não oferecem uma representação fiel da sociedade coreana; Eles são na maioria das vezes vinculados aos mesmos estereótipos, as histórias repetem-se e os antecedentes permanecem inalterados. As situações também são excessivamente exageradas na maioria das vezes, e é a partir da reação de diferentes grupos de telespectadores que podemos obter uma melhor compreensão do papel das mulheres na sociedade coreana e a relação com a imagem das mulheres em dramas de TV coreana. Esses estereótipos não representam, de modo algum, toda a população coreana, mas o fato de que os telespectadores parecem aceitar e mesmo se identificar com eles indica que os valores confucionistas ainda estão profundamente enraizados na sociedade coreana  Leste Asiática.

Fonte:
1-womeninworldhistory
2-seoulbeats
3-storify

As imagens a seguir são apenas ilustrativas, não representam nada, porém pretendo falar desses doramas nas próxima partes dessa postagem.


21 de dez de 2016

As "outras Mulan's" da China


Quem não conhece Mulan? A guerreira mais famosa da China, a mocinha que se veste de homem para entrar no exercito no lugar de seu pai, e assim conhece o seu verdadeiro amor, o final, é relativo, se falamos da Disney ou da versão chinesa, mas em ambas elas temos, a jovem, Mulan, determinada e superando obstáculos, porém para além dela há mais guerreiras que merecem o nosso respeito. Vamos conhecer algumas

Princesa Zhao de Pingyang- A princesa que liderou e criou seu próprio exercito. 



Princesa Pingyang era decididamente mais temível do que seu nome sugere. Ela levou um exército que ajudou a estabelecer uma das maiores dinastias da China, e, como seu pai disse, 'ela não era uma mulher comum'.

Nascida em 600 dC, Pingyang era a filha de Li Yuan. Li era um  camponês e tinha subido através das do exército para se tornar um comandante militar. O imperador na época era o segundo líder da dinastia Sui e era conhecido como Yangdi . Yangdi não era um governante popular. O povo da China o viam como um vilão e ficaram cada vez mais descontentes com o seu governo, gastos e os impostos crescentes. E uma rebelião foi se formando à medida que mais e mais pessoas foram se opondo a ele.


Yangdi começou a desconfiar de todos. Ele pensou que Li Yuan estava conspirando contra ele e decidiu se voltar contra ele. Li Yuan foi considerado um rebelde e passou a viver com medo de possivelmente, enfrentar a morte. O tempo estava certo e Li decidiu liderar uma rebelião para derrubar o governo de Yangdi e estabelecer a ordem e a paz em toda a china. Mas primeiro ele teve que derrotar os exércitos de Yangdi.

Quando Li Yuan decidiu se rebelar, Pingyang estava vivendo com seu marido Chai Shao, que passou a ser o líder da guarda do palácio! Li Yuan conseguiu conversar com Pingyang e Chai Shao para avisá-los de que ele estava planejando uma rebelião.
 Chai Shao imediatamente se juntou Li Yuan. Ele estava preocupado com o que aconteceria com Pingyang, mas ela deixou claro que ela poderia cuidar de si mesma.

Ela realmente fez muito mais do que apenas "cuidar de si mesma". Ela vendeu à propriedade de sua família, e usou seu dinheiro para alimentar as pessoas famintas que estavam na área circundante. Sua compaixão ganhou lealdade e logo o mais forte deles se uniram sob a sua liderança para formar um exército, assim criando seu próprio exercito.

Ela começou a ir com seu exército de província para província, convencendo outros grupos de rebeldes para se juntar a ela e ajudar na rebelião de seu pai. Eventualmente, ela comandou um exército de mais de 70.000 pessoas. Eles ficaram conhecidos como 'The Army of the Lady'.

Ela tinha regras muito estritas sobre o comportamento de seus soldados. Ela proibiu-os de saquear, pilhar e estuprar. Em vez disso, distribuiu comida a quem tem fome, ganhando carinho e lealdade das pessoas. Eles eram vistos como libertadores, não conquistadores.

Até este ponto, o Imperador realmente não tinha levado seu exército a sério porque ele foi liderado por uma mulher,  agora, ele estava começando a ficar preocupado como Li Yuan e os exércitos de Pingyang corroendo cada vez mais do seu poder. Ele enviou um batalhão para tentar destruir o exército da Pingyang, mas eles foram rapidamente derrotados.

Na batalha final na capital, Pingyang juntou forças com o marido e derrotou os últimos remanescentes da dinastia Sui. Imperador Yangdi fugiu, mas acabou por ser morto.

Li Juan tornou-se o novo imperador, chamando a si mesmo imperador Gaozu de Tang  e estabeleceu o que é conhecido como a Dinastia Tang , que se tornou um dos momentos mais prósperos da história da China e tem sido descrito como uma "idade de ouro". Ele deu Pingyang os títulos de Princesa e 'Zhao', o que significa muito sábio e virtuoso sendo também algo semelhante a "Mestre Jedi".

Infelizmente, a jovem princesa Pingyang morreu somente alguns anos depois que seu pai tornou-se imperador. Ela tinha apenas 23 anos na época de sua morte, que nos lembra o quão jovem ela era quando liderou um exército inteiro! Seu pai deu-lhe um funeral militar grande, incluindo uma banda, que era inédito para uma mulher naqueles dias na China (e tipo contra as regras). Quando offciais questionaram sua decisão de fazê-lo, ele disse:

"Como sabem, a Princesa reuniu um exército que nos ajudou a derrotar a dinastia Sui. Ela participou de muitas batalhas, e sua ajuda foi decisiva na fundação da Dinastia Tang. A princesa pessoalmente  levantou-se em rebelião justa para me ajudar a estabelecer a dinastia ... Ela não era uma mulher comum. "

o livro,  "Princess Behaving Badly" menciona Pingyang entre outras princesas rebeldes e impressionantes da história.
Fonte:badassoftheweek

Sun Shangxiang- A princesa que sabia se proteger.


Lady Sun foi a única filha de Sun Jian e Lady Wu . Ela tinha quatro irmãos que também nasceram Lady Wu - Sun Ce , Sun Quan , Sun Yi e Sun Kuang . Seu nome pessoal não foi registrada na história(Pois na China feudal, mulheres não eram registradas)

Às vezes, em 209,  Lady Sun casou com o senhor da guerra Liu Bei para fortalecer uma aliança entre Liu Bei e Sun Quan. O casamento provavelmente teve lugar no Gong'an (公安; atual Gong'an County , Hubei ), e Lady Sun foi enviado para lá para se casar com Liu Bei, porque Liu estava servindo como Governador (牧) de Jing Província , em seguida, e sua provincial capital era Gong'an. Lady Sun era conhecida por ser sábia, astuta, dura e feroz em caráter, muito parecida com seu irmão Sun Quan. 
Ela tinha mais de cem funcionárias do sexo feminino, todos elas empunhavam espadas e montavam guarda fora de seu quarto. Sempre que Liu Bei entrou no seu quarto, sentiu um frio em seu coração. Liu Bei também era suspeito e com medo de Lady Sun.   

Por volta de 211 , quando Liu Bei Jing deixou província em uma campanha para atacar o senhor da guerra Liu Zhang em Yi Província (cobrindo atual Sichuan e Chongqing ), enquanto Lady Sun permaneceu em Jing Province. Liu Bei sabia que seu general Zhao Yun era uma pessoa séria e ordenada, para que ele especialmente colocar Zhao encarregado dos assuntos internos (em Jing Província). Quando Sun Quan ouvido que Liu Bei tinha viajado para Yi Província, ele enviou um navio para buscar sua irmã de volta ao seu domínio. Lady Sun tentou trazer o filho de Liu Bei, Liu Shan , que nasceu a primeira esposa de Liu Bei Lady Gan .
No entanto, os generais de Liu Bei Zhao Yun e Zhang Fei levou seus homens para interceptá-la no caminho e raptaram Liu Shan. Nada foi gravado na história sobre o que aconteceu com Lady Sun depois que ela voltou para casa.
wikipedia

Liang Hongyu-A primeira a receber um salário de recompensa.

"Hongyu" significa "vermelho jade" em chinês; verdadeiro nome desta mulher é desconhecido, mas suas realizações como um general durante a Dinastia Song persistem em óperas, peças de teatro, e literatura.
Liang Hongyu viveu na época da transição do Norte à dinastia Song do Sul. Em 1129, Han Shizhong recebeu ordens para acabar com uma insurreição. Rebeldes capturados Liang Hongyu e seu filho e disse Liang para convencer o marido a parar de lutar. Liang ostensivamente concordou, mas ao conhecer seu marido, ela colocar a segurança do país em relação à de seu filho e ela e falou a seu marido para ficar com o seu plano de batalha. Depois de colocar a rebelião Han Shizhong foi promovido e Liang Hongyu foi homenageado com um salário do governo. Isto marcou a primeira vez na história chinesa que a esposa de um funcionário foi recompensado com um salário do governo para as contribuições para a segurança nacional. 

No mesmo ano, a 100.000-forte exército Jin estabelecido pela minoria étnica Nvzhen invadiu Zhejiang e na área do rio Yangtze. Han Shizhong levou um exército de 8.000 em um ataque contra as forças Jin superiores como eles se retiraram para o norte. A grande diversidade na dimensão destes respectivos exércitos significava que Han Shizhong e Liang Hongyu era necessário utilizar a sua inteligência ao implantar as suas tropas limitadas. Eles prepararam uma coluna de soldados para uma emboscada, e Han liderou uma frota de guerra para atrair o inimigo. Han Shizhong derrotou o exército Jin, mas não tomou conselho e avanço de Liang a vitória total, com o resultado de que as tropas Jin restantes escaparam. 

Quando a guerra acabou, Liang Hongyu não pediu honras, mas que seu marido ser penalizado por ter perdido uma oportunidade . Foi um pedido que moveu todos os interessados e ganhou Liangyu o título, 'Yangguo Lady'. 

Liang Hongyu ajudou Han Shizhong estabelecer a paz no Chu Zhou, Huaian de hoje na província de Jiangsu. Eles construíram uma nova cidade para resistir as tentativas de invasões Jin , e os seus soldados eram leais a eles. Sob o governo de Han e Liang, era dez anos antes que o exército Jin tentou outra invasão. 
A vida posterior de Liang foi dedicado a educar seu filho. Ela morreu com a idade de 51.


Qin liangyu- A general


Um retrato imaginário de Qin Liangyu, uma heroína leal cuja história apresenta na história oficial da Dinastia Ming.
A História Oficial da dinastia Ming menciona Qin Liangyu, famosa heroína do final da dinastia Ming, descrevendo-a como corajosa, inteligente, e um excelente cavaleira e arqueiro. Ela liderou uma tropa conhecido como o "exército pólo branco '. 

Qin era um nativo de Zhongzhou, Província de Sichuan, também cidade natal de famosos oficiais militares leais Ba Manzi do período e Yan Yan Estados Guerreiros do período dos Três Reinos. Qin praticado artes marciais com seus irmãos em uma idade precoce e também se tornou versado em táticas militares. Ela era proficiente em equitação e tiro com arco pelo tempo que ela tinha 20 anos corajoso e inteligente, Qin era bem conhecido em seu tempo como uma mulher graciosa hábil em artes marciais e ciência militar. Ela se casou com Sichuan funcionário do governo Ma Qiancheng quando ela tinha 20. 

escaramuças de fronteira eram abundantes durante o final da dinastia Ming. Qin e seu marido estabeleceu uma tropa de jovens locais para proteger o país, armado com pólos de basswood branco, cada um com um gancho em uma extremidade e um laço na outra. Esta arma foi muito útil em Sichuan montanhosa. Enganchando seus pólos através dos laços dos soldados na frente deles, os soldados foram capazes de avançar rapidamente até montanhas. O Exército Pólo Branco ganhou muitas batalhas e tornou-se famoso em toda a província. 

Qin assumiu seu marido a posição de Ma Qiancheng depois de sua captura e morte na prisão. Neste momento a minoria étnica Nvzhen, que fundou a dinastia Qing, levantou-se e ameaçou a fronteira. Depois de uma derrota esmagadora, o governo implantou Qin Liangyu para combater os invasores Qing. Seus irmãos e filho estavam entre os muitos soldados que morreram, mas Qin continuou a lutar até que seu exército tinha conduzido o inimigo em retirada. 

No terceiro ano do reinado do Imperador Chongzhen, os exércitos de Qing, uma vez mais invadido a região fronteiriça. Em resposta ao apelo do Imperador, Qin Liangyu montou dia e noite e, sem pausa, imediatamente para a batalha. Qin ajudou, assim, Beijing fora de perigo. O Imperador Chongzhen recompensado Qin, apresentando a ela no sedas corte imperial, carne de carneiro e vinho. Ele também escreveu quatro poemas em louvor dela.



Sichuanying hutong onde Qin estava estacionado em Pequim

O exército de Qin Liangyu foi postado em Sichuanying de Pequim, agora um hutong. Uma imagem de Qin uma vez pendurado no hall aliança Sichuan que ali estavam. O salão desde então se tornou uma residência, e a imagem de Qin fica guardado com segurança em Pequim Relíquias Culturais Mesa.